Entre Riscos e Rabiscos

O único fato imutável e concreto na vida é a morte, nascemos sabendo que iremos morrer, mas mesmo assim entramos na fantasia da imortalidade e ignoramos o tempo, a mais significativa ampulheta que mostra, sem pudor, o que nos resta.
E nesta fantasia que criamos para passar pela vida nos acomodamos aos rabiscos, grande vilão do nosso repertório de frustrações e lamentações que adoramos ouvir no aconchego de nossa solidão.

O rabisco nada mais é do que a hesitação ao risco, é a preparação que nunca se inicia, a fala que não sai, a vontade que se castra, o desejo que se anula; e então justificamos toda nossa paralisação ao rabisco:
…“Preciso treinar mais
Devo me preparar da melhor forma
Talvez serei rejeitado se demonstrar o que sinto
É melhor não causar conflito com minha forma de pensar
Por enquanto não é o momento”
Amanhã eu faço”…
Com isto o rabisco acaba conseguindo apodrecer todos os nossos sonhos, pois tudo o que passa da época perde o sabor, o sentido e o significado.
Que segurança é esta que tanto buscamos se nossa única certeza é sobre a morte? O quanto já perdemos por simplesmente corrermos do risco?

Arrisque-se! o pior que pode acontecer é não conseguir o esperado, o que está longe de ser um obstáculo, até porque só o fato de não arriscar já te condena a não ter.

Se jogue na vida e usufrua o máximo de toda a capacidade que possui, aí sim valerá cada instante vivido. Pare de adular seus traumas rabiscando incansávelmente cenários frustrantes que te fazem sofrer. Todos os dias temos a oportunidade de nos reinventarmos, esta só ocorre quando ousamos arriscar.

Se no seu último dia de vida você se deparasse com sua melhor versão, com o máximo que poderia ter se tornado, ficaria feliz ao comparar-se, ou decepcionado?

Cláudia Deris